Retomamos com os alunos as idéias para a mostra. Como havia alunos que faltaram na semana anterior, primeiro conversamos sobre o nosso semestre, sobre as nossas propostas e construções e, novamente, caminharam pra propor algo com performance que misturasse os instrumentos, nossos materiais preferidos (bastões e bolas) e o desenho.
Ficamos praticamente experimentando possibilidades, criando um ‘roteiro’ na medida em que nos relacionávamos com os materiais e uns com os outros. Descobriram o som dos bastões, resolveram criar uma escultura na hora
e incluir nossos corpos na nela
Foi um dia bastante criativo.
Mas ao final da primeira parte da aula, já estavam um tanto dispersos. Essa turma é muito plástica, o movimento dos corpos ainda é pra eles um tanto “estranho”, sem contar que não curtem muito ficar “presos” dentro da sala por muito tempo!
Voltamos do lanche e fomos para os vidros! Novamente adoraram a experiência!
Os desenhos estão cada vez melhores... a observação caminhou muito!
Desta vez, nem os professores resistiram, fomos todos juntos pro vidro, ora modelos, ora desenhistas!
Em comemoração ao dia da consciência negra nossos alunos foram convidados para ver um filme, "Atabaque Nizinga", junto com as outras crianças "das oficinas".
Tivemos um tempo com o grupo e conversamos sobre a Mostra de Artes, perguntando o que gostariam de apresentar. Chegaram numa proposta bastante parecida com a que havíamos cogitado: uma performance, com movimentos e danças tocando instrumentos, que definem uma pose a ser desenhada no vidro. Precisamos ainda elaborar melhor, mas a proposta está lançada!
Fomos para o filme, com pipoca e tudo!
Depois, aproveitamos o clima do filme e partimos para os nossos instrumentos... até uma mãe entrou na roda!
Com 8 crianças e 3 educadores (a Helô, nova educadora de Artes Visuais já está incorporada na nossa turma!) iniciamos a aula experimentando os instrumentos. Percebemos que os instrumentos têm trazido concentração e a exploração do som ajudado no movimento, numa consciência dele que vimos tentando resgatar!
A princípio, experiementamos livremente. Depois, fomos conduzindo para perceberem tempos diferentes, ritmos, a entrada de diferentes instrumentos para pensar seu papel na composição da música. A Helô trouxe um CD para um jogo. Falamos sobre como funciona uma orquestra, nos dividimos pelos instrumentos e ouvindo a música, buscamos acompanhá-la e entender qual dos nossos instrumentos equivalia a cada som que ouvíamos. Foi bastante proveitoso, apesar de uma dificuldade imensa de ouvir, pois o barulho era enorme o o radinho que temos não dá conta! Partimos para o movimento num jogo de espelhos. Exploramos o jogo, tempos, contrário, etc, sempre pensando na pose em que finalizaria. Antes do lanche, em duplas ainda, um posou e o outro tentou contorná-lo, com o dedo no ar, como se desenhassem... era uma preparação para a proposta que estava por vir!
Partimos para o vidro com os celofanes! Cada um escolheu uma cor, a fixamos nos vidros do BEC, 2o. andar. Em duplas, se colocaram diante dos vidros. Um de frente para o papel e o outro do outro lado... modelo e desenhista separados pela transparência...
Antes de desenhar, propusemos que um escolhesse uma pose e o outro tentasse contorna-la apoiando no vidro, sendo uma pose bem perto do vidro, outra longe. Ambos ensaiaram e depois partiram para os desenhos! Foi delicioso! Paramos para conversar e ficou muito claro para todos questões de representação das figuras no espaço... todos perceberam que quando seu modelo estava longe, ficava menor e mais alto no plano! Com este olhar, partiram para observar a paisagem, a arquitetura do BEC... pediram para repetir a dose, e essa proposta certamente fará parte dos nossos planos para a Mostra de Artes do PIÁ no CEU Jd. Paulistano, que ocorrerá no dia 12 de dezembro!
Nesse dia, com 10 crianças, tivemos que iniciar retirando nossos trabalhos das paredes (e das outras turmas também!) que seriam decoradas para a festa de aniversário do CEU. Iniciei com uma conversa com o grupo sobre as nossas formas "instaladas" por todo o andar e decidiram tirar com cuidado para depois fazermos uma nova composição com elas, e não colocar no mesmo lugar!
Saímos e retomamos a proposta das poses, que haviam partido das imagens. Como haviam outros alunos, fizemos jogos de movimento para que estes também explorassem as possibilidades de se colocar nos espaços. Usamos os instrumentos nesses jogos e todos tocaram... enquanto um grupo explorava seus corpos, o outro tocava. Então, voltamos para o local onde havíamos iniciado esta proposta e finalizamos com a ocupação dos espaços definidos pelas fotos.
Iniciamos o dia em sala, com nossos 6 “fiéis”!
Havíamos preparado diversas propostas que pretendiam uma “volta ao corpo”, ao movimento, pois percebemos que esta turma já tem uma relação com o espaço bastante interessante, mas sente dificuldades em inserir o próprio corpo nele. A resposta a alguns exercícios confirmou isso, mas nos mostrou também que estão bastante dispostos! Uma preocupação nossa era ajudá-los a continuar crescendo, sem desviar ou desrespeitar um perfil que já se faz claro...
Ao chegar, os alunos nos pediram para usar os instrumentos. Não estava nos planos mas achamos que poderia se encaixar na proposta e topamos! Estão já acostumados a iniciar a aula experimentando materiais que usaremos nas propostas do dia.
Cada um escolheu um instrumento e começaram a tocar. Rapidamente estavam em sintonia! Foi bastante impressionante como a turma encontrou logo “um jeito” de tocar juntos... todos estavam completamente absorvidos! São realmente um grupo!
Propusemos que escolhessem lugares diferentes na sala para tocar, e depois que tocassem em movimento.
Ficaram bastante tempo tocando e se ouvindo, criando diálogos.
Propusemos então que, em silêncio, buscassem em meio a livros, imagens que achassem que tinham alguma relação com a nossa música, que para nós ainda tocava....
Falamos sobre forma, cor, ritmo, figura, espaço, repetição, etc. Fiquei muito contente com as escolhas que fizeram! Me pareceu que encontram já correspondências entre os elementos das linguagens, fazendo relações pouco óbvias a princípio, encontrando nas sensações correspondências entre o ritmo e a forma, cor, composição! Depois de um tempo surgiram algumas escolhas mais “ilustrativas”...
Partimos destas imagens para conduzir um jogo onde representavam a imagem escolhida com o corpo. Outro exercício bastante rico. Cada um construiu 3 poses a partir de 3 imagens diferentes e fomos, gradativamente, inserindo-as em movimentos. Aí sentiram certa dificuldade... andar junto, todos pararem quando um pára, andar na mesma velocidade, etc foi difícil para eles! A sincronia e cumplicidade que têm para construir e tocar “se perde” no movimento...
Paramos para o lanche e voltamos vendo algumas imagens de instalações, arte ambiental e intervenção urbana. Novamente a discussão foi bastante interessante... falamos da interferência do artista no espaço, da obra com as pessoas, do espaço definindo a obra, de tempo, de intenções... discussões que temos sempre a partir do nosso próprio trabalho e que achei interessante que fizéssemos olhando para outros artistas...
Fomos então para fora da sala explorar outros espaços do CEU. Cada um escolheu um ponto de vista para fotografar o local escolhido e partimos para a inserção dos corpos (nas poses criadas em sala) nesses espaços, considerando os limites definidos pelo fotógrafo... Não houve tempo para nos inserir em todas as fotos, mas iniciaremos o próximo encontro por este exercício.
Os instrumentos nos deram ainda mais elementos para o trabalho e estamos buscando a melhor forma de finalizar este processo! Tem sido bastante difícil pensar num encerramento, pois são muitas as possibilidades! Trata-se de um grupo bastante participativo e disposto, bem diferente do início do processo, onde muitas vezes nos angustiava não saber o que estavam pensando... adoro ver como se colocam, se arriscam, se relacionam!