Havíamos preparado diversas propostas que pretendiam uma “volta ao corpo”, ao movimento, pois percebemos que esta turma já tem uma relação com o espaço bastante interessante, mas sente dificuldades em inserir o próprio corpo nele. A resposta a alguns exercícios confirmou isso, mas nos mostrou também que estão bastante dispostos! Uma preocupação nossa era ajudá-los a continuar crescendo, sem desviar ou desrespeitar um perfil que já se faz claro...
Ao chegar, os alunos nos pediram para usar os instrumentos. Não estava nos planos mas achamos que poderia se encaixar na proposta e topamos! Estão já acostumados a iniciar a aula experimentando materiais que usaremos nas propostas do dia.
Cada um escolheu um instrumento e começaram a tocar. Rapidamente estavam em sintonia! Foi bastante impressionante como a turma encontrou logo “um jeito” de tocar juntos... todos estavam completamente absorvidos! São realmente um grupo!
Propusemos que escolhessem lugares diferentes na sala para tocar, e depois que tocassem em movimento.


Ficaram bastante tempo tocando e se ouvindo, criando diálogos.
Propusemos então que, em silêncio, buscassem em meio a livros, imagens que achassem que tinham alguma relação com a nossa música, que para nós ainda tocava....
Falamos sobre forma, cor, ritmo, figura, espaço, repetição, etc. Fiquei muito contente com as escolhas que fizeram! Me pareceu que encontram já correspondências entre os elementos das linguagens, fazendo relações pouco óbvias a princípio, encontrando nas sensações correspondências entre o ritmo e a forma, cor, composição! Depois de um tempo surgiram algumas escolhas mais “ilustrativas”...
Partimos destas imagens para conduzir um jogo onde representavam a imagem escolhida com o corpo. Outro exercício bastante rico. Cada um construiu 3 poses a partir de 3 imagens diferentes e fomos, gradativamente, inserindo-as em movimentos. Aí sentiram certa dificuldade... andar junto, todos pararem quando um pára, andar na mesma velocidade, etc foi difícil para eles! A sincronia e cumplicidade que têm para construir e tocar “se perde” no movimento...
Paramos para o lanche e voltamos vendo algumas imagens de instalações, arte ambiental e intervenção urbana. Novamente a discussão foi bastante interessante... falamos da interferência do artista no espaço, da obra com as pessoas, do espaço definindo a obra, de tempo, de intenções... discussões que temos sempre a partir do nosso próprio trabalho e que achei interessante que fizéssemos olhando para outros artistas...
Fomos então para fora da sala explorar outros espaços do CEU. Cada um escolheu um ponto de vista para fotografar o local escolhido e partimos para a inserção dos corpos (nas poses criadas em sala) nesses espaços, considerando os limites definidos pelo fotógrafo... Não houve tempo para nos inserir em todas as fotos, mas iniciaremos o próximo encontro por este exercício.


Os instrumentos nos deram ainda mais elementos para o trabalho e estamos buscando a melhor forma de finalizar este processo! Tem sido bastante difícil pensar num encerramento, pois são muitas as possibilidades! Trata-se de um grupo bastante participativo e disposto, bem diferente do início do processo, onde muitas vezes nos angustiava não saber o que estavam pensando... adoro ver como se colocam, se arriscam, se relacionam!
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